Júlio Isidro de pedra e cal na RTP, renova contrato até 2021

Júlio Isidro, que se prepara para celebrar seis décadas de carreira na estação pública de televisão, apresentou dois projetos à RTP. O apresentador celebra este domingo, 5 de janeiro, 75 anos.

05 Jan 2020 | 11:15
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16 de janeiro de 1960. Júlio Isidro tinha acabado de completar quinze anos. Estreava-se nesse dia na RTP, ao lado de Lídia Franco, na condução de Programa Juvenil. Passadas quase seis décadas, aquele que é o apresentador português mais velho no ativo renovou contrato com a estação que o viu nascer. Um «contrato de dois anos», conta o comunicador, que celebra este domingo 75 anos, em exclusivo à TV 7 Dias.

«Já é a terceira vez que tenho um vínculo destes, a prazo, o que é uma alegria», refere Júlio Isidro, recordando os muitos anos em que teve contratos apenas a projeto. «Era para fazer um determinado número de programas e depois acabavam. Este é o terceiro com prazo de 24 meses e para fazer aquilo a que chegar a acordo com a estação», explica.

E, de facto, além de Inesquecível e de Traz prá Frente, na RTP Memória, o apresentador prepara-se para estrear mais
dois programas na antena deste mesmo canal. O primeiro arranca já no início do ano, o segundo ainda está por definir. O que os une é o facto de ambos terem «a componente de diálogo». «Conversa-se muito em televisão, acho que há mais combates do que debates. O Inesquecível é rigorosamente um talk-show. O Traz prá Frente é um talk-show caótico que eu adoro fazer. Todos aqueles que propus têm uma componente de diálogo, mas não são obviamente talk-shows», afirma, escudando-
se a desvendar mais detalhes.

«Todos os dias digo que não quero mais fazer televisão»

 

«A Memória também tem direito a fazer surpresas», ri-se. Embora feliz com a aposta permanente em si, Júlio Isidro não esconde que, de forma intermitente, vai pensando em desistir do pequeno ecrã. «Todos os dias digo que quero mais e
todos os dias digo que não quero mais fazer televisão», confessa. Ainda assim, aceitou manter-se ao serviço da RTP por mais dois anos, por acreditar que o seu trabalho com Inesquecível, em que convida personalidades a viajar pelas
memórias da sua história na estação, «é útil e está a fazer história» ao reunir «um espólio dos artistas portugueses».

Além disso, é o formato mais duradouro da sua carreira. «Vamos no programa 353, temos quase nove anos em antena
e cerca de 900 convidados. Nunca tinha feito nove anos de um único formato, nem com os meus maiores sucessos.
Ora, falta um ano e picos para os dez, e eu gosto de contas redondas. Por isso, pelo menos dez anos deste programa eu vou fazer», assegura.

Mas há mais. O comunicador tem na gaveta muitos outros projetos que «jamais serão gravados» e que poderá, um
dia, «entregar à Sociedade Portuguesa de Autores para alguém que os queira aproveitar». São formatos pensados à medida daquilo que pensa «que são as preferências e os desejos, até escondidos, do público».

«As preferências do público, mas nunca na base de lhe dar aquilo que ele quer ver. O gosto médio dos espectadores é
um artifício para se arranjarem programas de baixo nível», ressalva. Sem querer atirar nomes para cima da mesa, o também produtor avança que é «daquelas pessoas que odeia dizer» que no seu “tempo é que era bom». «Há atualmente profissionais
muito bons, como há profissionais muito maus, como em todo o lado e como sempre.»

Mas, afinal, ao fim de quase 75 anos de vida e 60 de carreira, como se olha para o pequeno ecrã? Consegue Júlio Isidro
ver televisão apenas como um mero espectador? A resposta está na ponta da língua: «Não. Não estou a ver apenas
o encantamento que está à frente dos olhos. Ou o desencantamento. Estou muitas vezes a adivinhar o que está lá por trás. Eu vejo televisão com prazer, mas seleciono muito. Tenho pouco tempo. De vida, até.»

E por muito «pouco tempo» que tenha, assevera que «vê um bocadinho de cada coisa» e que há programas que o fazem «ficar sentado mais vezes» e outros a que assiste «apenas para saber porque é que são assim». «Dizem que a televisão, a caixa mágica, muda o Mundo, mas o Mundo é que vai mudando a caixa», opina. E a televisão encanta ou desencanta? «Nem uma coisa nem outra. Raramente me envolvo. E, como não me envolvo, às vezes adormeço», remata.

Textos: Ana Filipe Silveira; Fotos: Arquivo Impala

 

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